quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Lição 6 - 4º Trim. 2012 - O Profeta Jonas e a Misericórdia Divina.


Lição 06

O PROFETA JONAS E A MISERICÓRDIA DIVINA

11 de novembro de 2012

Professor Alberto 

TEXTO ÁUREO 


E Deus viu as obras deles, como se converteram do seu mau caminho;
e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não o fez (Jn 3.10). 

VERDADE PRÁTICA


O relato de Jonas ensina-nos o quanto Deus ama
 e está pronto a perdoar os que se arrependem. 
 

COMENTÁRIO DO TEXTO ÁUREO 


E Deus viu as obras deles, como se converteram do seu mau caminho;
 e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não o fez (Jn 3.10) 

Nosso texto áureo deste domingo é a citação do profeta Jonas 3.10. Durante a exposição da lição será comentado sobre a linguagem antropológica da expressão “Deus se arrependeu do mal”, por isso não comentarei essa expressão aqui.
Aproveitarei o subsídio da lição para o comentário do texto áureo: “O livro de Jonas é diferente dos outros livros dos Profetas Menores. Trata-se de uma narrativa bibliográfica das experiências do profeta, e não de uma coletânea de mensagens proféticas.
O tema prioritário do livro é a graça soberana de Deus pelos pecadores, ilustrada na sua decisão de reter o julgamento sobre os culpados, mas arrependidos ninivitas. Há também uma lição teológica importante a ser aprendida observando as respostas de Jonas a Deus.
O retrato do autor de Jonas é altamente depreciativo. Os padrões duplos de Jonas fizeram com que as suas ações lhe contradissessem os credos de tom espiritual. Pelo exemplo negativo de Jonas, o leitor aprende a não resistir à vontade e decisões soberanas de Deus” (ZUCK, R. B. (Ed.) Teologia do Antigo Testamento. 1 ed., RJ: CPAD. 2009, p.467).
Jonas teve um chamado missionário, e fez o que foi possível para se eximir dessa vocação divina. Não é demais chamá-lo de egoísta (ele pensou em si mesmo, e não na nação á qual Deus o mandara ir), vingativo (ele desejava que os ninivitas fossem exterminados por Deus, por causa dos seus pecados e das atrocidades que cometeram) e orgulhoso (o senso nacionalista de Jonas era muito forte, fazendo-o crer que ele estava acima.
O pensamento de Jonas tinha alguma lógica. Ele não nutria bons sentimentos para com os assírios, pois estes eram pessoas muito más, e manifestavam sua maldade com os povos dominados, chegando a empalar os homens e abrir o ventre de mulheres grávidas vivas! A lógica de Jonas era, por assim dizer, baseada naquilo que Deus disse: “Vou destruir Nínive se a cidade não se arrepender”. Se Jonas não vai lá pregar, a cidade não vai se arrepender e Deus a destruirá. Mas Deus não pensava assim. Ele desejava que Jonas fosse cumprir sua missão.
Jonas é uma mostra do povo judeu do seu tempo. Um povo que desejava ver o julgamento de Deus contra seus inimigos. Um povo que deseja ser conhecido pelo nome de Deus, mas que foge da vontade desse Deus quando ela é manifesta. Fala também de um povo que precisava aprender que as nações podem ser perdoadas por Deus, e que Ele se importa com o bem-estar das nações, e não apenas de Israel.
A relação da Assíria com Israel não era das melhores. Israel pagava tributos à Assíria até que Jeroboão II rebelou-se. Nos dias de Jeroboão II, Israel começou a experimentar segurança como nação, e a Assíria, o declínio.
A visita de Jonas a Nínive deve ter ocorrido em 765 a.C, e levando em consideração que Nínive está distante de Israel 960 km (uma viagem que durava algo em torno de três meses), não é difícil entender que Jonas certamente levou um bom tempo para ser descoberto e lançado nas águas pelos marinheiros do navio.
Não raro, costumamos reprovar a atitude de Jonas quanto à ordem de Deus. Mas quantas vezes não nos identificamos com Jonas e sua rebeldia quando somos desafiados por Deus a obedecê-lo, e não o fazemos? Jonas é, portanto, um espelho para cada cristão: não precisamos aguardar que Deus aja de forma extrema conosco, como agiu com Jonas quando o conduziu a Nínive na barriga de um grande peixe, para que possamos obedecer a Sua vontade, qualquer que seja o mandado de Deus para nossas vidas”.  

RESUMO DA LIÇÃO 06  


O PROFETA JONAS E A
MISERICÓRDIA DIVINA  

I. O LIVRO DE JONAS

1. Contexto histórico.

2. Vida pessoal.

3. Estrutura e mensagem.  

II. O GRANDE PEIXE

1. Baleia ou grande peixe?

2. Interpretação.  

III. A MISERICÓRDIA DIVINA

1. A conversão dos ninivitas (3.8-9).

2. O “arrependimento” de Deus.

3. Explicação exegética.  

IV. A JUSTIÇA HUMANA

1. Descontentamento de Jonas (4.1).

2. Jonas esperava vingança?

3. Compreendendo a misericórdia divina. 
 

INTERAÇÃO


 

Nínive era absolutamente odiada pelos judeus. Como capital do império assírio, ela representava a maldade, a crueldade, a impiedade e agudeza de um império perverso. Mas o Altíssimo, cheio de graça e amor, volta seu olhar para aquela cidade impenitente e decide enviar-lhe o profeta Jonas. O profeta, sabedor de toda maldade praticada pelos ninivitas, resistiu ao chamado divino. Entretanto, Deus estava no controle e não demorou para que o profeta fosse até Nínive levar a mensagem de salvação. Jonas aprendeu uma extraordinária lição a respeito do grande amor e misericórdia de Deus. Não podemos nos esquecer que a mensagem da salvação é para toda a humanidade. 
 

OBJETIVOS 


Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

·   Explicar o contexto histórico, a estrutura e a mensagem do livro de Jonas.

·   Conhecer o atributo da misericórdia divina.

·   Conscientizar-se da perenidade da misericórdia Deus. 
 

ESBOÇO DO LIVRO DE JONAS


O livro de Jonas destaca as duas principais chamadas de Deus na vida do profeta. Na primeira, ele desobedece e sofre as consequências. Na segunda, ele ouve ao Senhor e lhe obedece.  

 A CHAMADA DO PROFETA JONAS 

Primeira chamada (1.1 — 2.10)
         1.1,2 .............. Chamada de Jonas: “vai à Nínive”;
         v.3 .............. Desobediência de Jonas;
         vv.4-17 .............. Consequências da desobediência de Jonas: para os 
                                        outros (4-11); para si mesmo (12-17);
         2.1-9 .............. A oração de Jonas no meio da calamidade;
         v.10 .............. O livramento de Jonas.  

Segunda chamada (3.1 — 4.11)

         3.1,2 .............. A chamada de Jonas: “vai à Nínive”;
         vv.3,4 .............. A missão obediente de Jonas;
         vv.5-10 .............. Resultados da obediência de Jonas: os ninivitas se
                                        arrependem (vv.5-9); os ninivitas poupados do juízo
                                         divino (v.10);
         4.1-3 .............. A queixa de Jonas;
         vv.4-11 .............. A repreensão e a lição de Jonas. 
 

COMENTÁRIO


introdução

                                        PALAVRA CHAVE

      MISERICÓRDIA:

Sentimento de solidariedade com relação a alguém que sofre uma tragédia; compaixão, piedade.  

A história de Jonas, que fascina crianças e adultos, é mais conhecida por narrar a experiência do profeta no ventre do grande peixe. No entanto, esse acontecimento não deve ofuscar o milagre maior: a conversão de uma cidade pagã. Os dois milagres foram mencionados pelo Senhor Jesus e continuam a impressionar ao longo da história.  

I. O LIVRO DE JONAS  

1. Contexto histórico. Salta aos olhos de qualquer leitor que Jonas é da época do império assírio, cuja capital era Nínive. O nome do rei ninivita impactado com a pregação de Jonas, segundo se diz, é Adade-Nirari III, falecido em 783 a.C. Nessa época, Jeroboão II, filho de Joás, reinava em Samaria, sobre as dez tribos do Norte. 

O IMPÉRIO ASSÍRIO
 

O Império Assírio era localizado na região leste da Alta Mesopotâmia, entre o rio Tigre e a cordilheira de Zagros.
Seus domínios se estenderam de Elam até as fronteiras do Egito.
Seu ápice foi com o rei Sargão II (722-705 a.C.).
Com seu forte exército dominou os hebreus, babilônios e egípcios, mas não resistiu à pressão de um levante em Elam, juntamente com um na Babilônia, dando a oportunidade para os egípcios recuperarem sua liberdade.
Logo em seguida, os medos, povo aliado aos caldeus e aos citas, tomaram a capital Nínive e a destruíram.

Os assírios formaram o maior império, até então criado, antes do Império Romano.
O Império Assírio desenvolveu as armas de ferro, mantinha o seu exército como o mais poderoso da época, e para manter os altos custos deste exército, os mesmos obrigavam os povos vencidos em suas batalhas, pagarem tributos.
A crueldades dos Assíros (Nivivitas) consistia em trazer as pessoas vencidas de suas batalhas para seu Império, furar seus olhos, cortar seus braços, mutilar seus adiversários vencidos, a crueldade mais famosa era a "Pirâmede Sangrenta" que era formada de cabeças cortadas, colocadas uma ao lado da outra e depois em cima. Seria mais humano matar seus adversários em suas batalhas, mas os Assirios tinham prazer em torturar seus inimigos. A fama de sua crueldade espalhou por toda região, tanto que outros povos chegava pagar tributos, para não precisar guerrear.  

.2. Vida pessoal. Jonas se apresenta apenas como filho de Amitai (1.1). Ele é mencionado em outras narrativas bíblicas e, por essa razão, sabe-se que era profeta do Reino do Norte, natural de Gate-Hefer, tendo vivido na época de Jeroboão II (2 Rs 14.23-25). Gate-Hefer localizava-se na terra de Zebulom (Js 19.13), nas proximidades de Nazaré da Galileia. Jonas, que deveria ir para Nínive clamar contra esta cidade, desobedeceu à ordem divina, procurando fugir para Társis. É o único profeta bíblico, do qual se tem notícia, que tentou resistir ao Senhor. Ele seguiu em direção oposta. Társis, segundo Herodoto, é a mesma Tartessos, na orla ocidental do Mediterrâneo, a sudoeste da Espanha, ideia aceita pela maioria dos pesquisadores bíblicos. Será que Jonas não conhecia a onipresença de Deus? (Sl 139.7-10).  

3. Estrutura e mensagem. O livro contém 48 versículos distribuídos em quatro breves capítulos. Apesar de começar com estrutura profética (1.1), a mensagem é apresentada em estilo biográfico. Não deixa, contudo, de ser uma profecia da história de Israel, ao mesmo tempo em que anunciam o ministério, a ressurreição e a obra missionária de Cristo (Mt 12.39-41; 16.4). O tema principal do livro é a infinita misericórdia de Deus e a sua soberania sobre todas as nações.  

SINOPSE DO TÓPICO (I)

O tema principal do livro de Jonas é a inefável misericórdia de Deus e a sua soberania sobre as nações.
 

II. O GRANDE PEIXE  

1. Baleia ou grande peixe? Na Bíblia Hebraica e na Septuaginta, o versículo 17 é deslocado para o capítulo seguinte (2.1). A língua hebraica não dispõe de termo técnico para “baleia”. Essa palavra é usada como resultado de uma interpretação tradicional que atravessou séculos. As Escrituras Hebraicas empregam dag gadol, “grande peixe”, uma vez (1.17;2.1), e simplesmente dag, “peixe”, três vezes (1.17; 2.1,10). A Septuaginta traduz ketei megalo por “grande monstro marinho”, e ketos por “monstro marinho”, a mesma palavra usada no Novo Testamento grego (Mt 12.40).  

2. Interpretação. Não há indício algum no texto para que ele possa ser interpretado como alegoria, ficção didática, mito, lenda etc. Rejeitamos todas essas linhas de pensamento, pois o oráculo foi entregue a Jonas no mesmo estilo dos outros profetas (1.1; Jr 33.1; Zc 1.1). Além disso, o Senhor Jesus Cristo, a maior autoridade no céu e na terra, interpretou o livro como histórico, assim como históricos foram o ministério e a ressurreição do Mestre. O Novo Testamento é a palavra final, e isso encerra qualquer questão (Mt 12.39-41; 16.4).  

SINOPSE DO TÓPICO (II) 

Em relação ao texto de Jonas que fala sobre o “grande peixe”, não há indício algum para uma interpretação alegórica, mitológica ou lendária. 
 

III. A MISERICÓRDIA DIVINA  

1. A conversão dos ninivitas (3.8,9).  O curto relato do livro de Jonas serve como prenúncio da graça salvadora para todas as nações (Tt 2.11). Os ninivitas foram salvos pela graça, pois “creram em Deus” (3.5) e “se converteram do seu mau caminho” (3.10). As obras foram consequência da sua fé no Deus de Israel.  

2. O “arrependimento” de Deus. O arrependimento humano é mudança de mente e de coração, de pior para melhor. Quando a Bíblia fala que “Deus se arrependeu” (3.10), parece confundir-nos um pouco, pois Deus é perfeito e imutável, não pode mudar, nem alterar a sua mente (Ml 3.6). A explicação para uma declaração como essa é a linguagem antropopática, um modo de falar em termos humanos, ou se trata de uma questão de ordem exegética, que é o nosso caso aqui. Quem mudou, na verdade, foi o povo, e nesse caso o perdão é parte do plano divino (Jr 18.7,8). 

3. Explicação exegética. O texto sagrado declara que “Deus viu as obras deles, como se converteram do seu mau caminho” (3.10a). O verbo hebraico aqui é shuv, literalmente: “voltar-se, retornar”, frequentemente usado para indicar o arrependimento humano. A respeito do “arrependimento” de Deus, que vem na sequência (3.10b), o verbo é outro, nanam, “ter pena, arrepender-se, lamentar, consolar, ser consolado” (Gn 6.6; 1 Sm 15.11; Jr 8.18).
Essas nuanças linguísticas podem ser confirmadas por qualquer pessoa, ainda que não conheça uma única letra do alfabeto dessas línguas, com o auxílio, por exemplo, da Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego (CPAD).  

SINOPSE DO TÓPICO (III) 

A misericórdia divina alcançou os ninivitas segundo a graça do Deus Altíssimo.  

IV. A JUSTIÇA HUMANA  

1. Descontentamento de Jonas (4.1). Jonas foi bem-sucedido em sua missão. Qualquer profeta de Israel, ou mesmo algum pregador de hoje, sem dúvida alguma ficaria satisfeito com o resultado do trabalho. A Bíblia não revela a razão do descontentamento de Jonas, senão o que o ele mesmo afirma, ao dizer que sabia que Deus é “piedoso e misericordioso, longânimo e grande em benignidade e que te arrependes [niham] do mal” (4.2b). 

2. Jonas esperava vingança? O império assírio foi um dos mais cruéis da história e tinha domínio sobre todo o Oriente Médio. Será que Jonas esperava uma vingança como retaliação por terem os assírios massacrado o seu povo? O certo é que, ainda hoje, há crentes que se incomodam com o retorno à Igreja dos que se acham afastados do rebanho. Quem não se lembra do irmão mais velho do filho pródigo? (Lc 15.25-32). Às vezes, a bondade divina incomoda alguns (Mt 20.15).  

3. Compreendendo a misericórdia divina. A misericórdia divina é um dos atributos que revela a natureza de Deus (Êx 34.6; Jr 31.3). O Senhor poupou Nínive da destruição, prorrogou a sua ruína, e perdoou os seus moradores. O próprio Jonas, na qualidade de desertor, também foi alvo da infinita bondade de Deus.  

SINOPSE DO TÓPICO (IV)

A justiça humana é rápida para julgar, mas a divina é longânima em perdoar.  

CONSIDERAÇÕES FINAIS  

Jonas transmite-nos uma importante lição prática. O relato em si mostra a diferença abissal entre a bondade divina e a justiça humana. Aos ninivitas Deus falou por intermédio de Jonas. Hoje, Ele fala através de Jesus, que continua a salvar, a curar e a batizar com o Espírito Santo (Jo 14.16; At 4.12). Ele mesmo disse: E eis que está aqui quem é maior do que Jonas” (Mt 12.41 - ARA). O Mestre operou sinais, prodígios e maravilhas como nenhum outro antes ou depois dele, e deu oportunidade de salvação a todos (At 10.38). Mesmo assim, foi rejeitado pela sua geração (Jo 1.11). Por isso, lançou em rosto a incredulidade dos seus contemporâneos e elogiou a fé dos ninivitas por haverem ouvido a pregação do profeta e arrependido de seus pecados.  

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA  


ZUCK, R. B. (Ed.) Teologia do Antigo Testamento. 1 ed., RJ: CPAD. 2009.
SOARES, E. O Ministério Profético na Bíblia: A voz de Deus na Terra. 1 ed., RJ: CPAD, 2010.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Subsídio da Lição 6 - 4º Trim. 2012.

Lição 6 Jonas- A misericórdia divina

TEXTO ÁUREO “E Deus viu as obras deles, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não o fez” (Jn 3.10).


INTRODUÇÃO
I. O LIVRO DE JONAS
II. O GRANDE PEIXE
III. A MISERICÓRDIA DIVINA
IV. A JUSTIÇA HUMANA

CONCLUSÃO

JONAS

Robert B. Chrisholm, JR.

A GRAÇA SOBERANA DE DEUS

Ao longo do livro de Jonas Deus aparece como o Rei soberano e onipotente do universo. Provocou uma tempestade violenta (Jn 1.4) e depois fez com que parasse (v.15). Determinou o resultado da sorte que os marinheiros lançaram (v.7), mandou que uma grande criatura marinha lhe fizesse a vontade (Jn 1.17; 2.10), induziu uma planta a crescer (Jn 4.6), fez uma lagarta matar a planta (Jn 4.7) e chamou o vento quente do deserto (Jn 4.8). Até a maior cidade da terra estava sujeita ao seu decreto soberano (Jn 1.2; 3.1-10; 4.11).

Deus mostrou poder soberano visando uma meta em particular ― a recuperação de homens pecadores. Embora os ninivitas merecessem ser castigados por atos pecaminosos, Deus na sua graça decidiu dar-lhes a oportunidade de arrepender-se. Com isso, Ele demonstrou a verdade da confissão de Jonas, registrada em Jonas 4.2: “[Tu] és Deus piedoso e misericordioso, longânimo e grande em benignidade e que te arrependes do mal”.

A RESPOSTA DE JONAS A DEUS

A confissão registrada em Jonas 4.2 não se originou com a [do] profeta.
Palavras quase indênticas constam em Êxodo 36.6,7 onde a referência é a misericórdia de Deus por Israel imediatamente após a queda vergonhosa do bezerro de ouro. Uma forma abreviada do credo ocorre em Números 14.18, onde Moisés pediu que o Senhor perdoasse o povo depois de terem recusado confiar no Senhor para vencer os cananeus. O uso de Jonas desta confissão tradicional deve tê-lo lembrado que Deus desde o começo da história demonstrara misericórdia a Israel.

Apesar da desobediência e presunção, o próprio Jonas experimentara a libertação misericordiosa de Deus e recebera uma segunda chance.

Quando comissionado por Deus para ir a Nínive, Jonas fugiu na direção oposta. Quando lançado ao mar furioso e engolido por um peixe, Ele teve a audácia de presumir que estava livre. Em lugar de oferecer um clamor penitencial e humilde por libertação, ele agradeceu ao Senhor por tê-lo libertado (Jn 2.1-9). Mas Deus preservou e comissionou novamente o profeta (Jn 2.10 ― 3.2). O livro termina com um Deus gracioso ainda tentando persuadir Jonas a pensar corretamente na sua misericórdia (Jn 4.9-11).

Embora Jonas, como Israel, fosse recebedor da misericórdia de Deus, o profeta negou a mesma misericórdia para o mundo gentio. Ironicamente, estes pagãos a quem Jonas detestava por serem idolatras (Jn 2.8), mostraram mais sensibilidade espiritual do que o profeta. Jonas reivindicou temer “ao Senhor, o Deus do céu, que fez o mar e a terra seca” (Jn 1.9). Mas suas ações contradisseram o seu credo. Enquanto Jonas tentou fugir do Criador do mar através do mar, os pagãos expressaram que temiam genuinamente ao Senhor por meio de sacrifícios e orações (Jn 1.16). Em contraste com Jonas que desobedeceu à palavra revelada de Deus e prevaleceu-se da misericórdia divina, os ninivitas responderam imediata e positivamente à palavra de Deus e humildemente se lançaram aos pés do Deus soberano (Jn 3.4-9). Embora Deus enviasse Jonas para denunciar a “malícia” (ra’ah) de Nínive (Jn 1.2), o profeta desobediente trouxe “mal” (ra’ah novamente) aos marinheiros (Jn 1.7) e acabou ficando “todo ressentido” (ra’ah de novo) pelo tratamento misericordioso dado por Deus aos ninivitas (Jn 4.1). Esta repetição da palavra hebraica (ainda que em sentidos semânticos diferentes) indica que Jonas, de certo modo, se tornara mais semelhante [a]os pagãos de que ele percebera. Por meio de contraste, os ninivitas tinham se afastado “do seu mal [ra’ah] caminho” (Jn 3.10).

O livro de Jonas é uma lembrança vívida para que o povo de Deus não resista ou questione as decisões soberanas de Deus dar a sua graça a quem Ele quer. Quando Deus chama os seus servos para lhe cumprir as determinações e ser instrumentos da graça aos pecadores, eles têm de obedecer, cientes de que eles também têm experimentado a misericórdia divina de forma conjunta e individual.


Texto extraído da obra “Teologia do Antigo Testamento”, editada pela CPAD.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Subsídio da Lição 5 - 4º Trim. 2012.

Lição 5 - Obadias - A soberania divina e o princípio da retribuição

TEXTO ÁUREO “Porque o dia do SENHOR está perto, sobre todas as nações; como tu fizeste, assim se fará contigo; a tua maldade cairá sobre a tua cabeça” (Ob 1.15).

INTRODUÇÃO
I. A SOBERANIA DE DEUS
II. O LIVRO DE OBADIAS
III. EDOM, O PROFANO
IV. A RETRIBUIÇÃO DIVINA

CONCLUSÃO

DEUS E SUA EXTRAORDINÁRIA SOBERANIA

J. I. PACKER

O que descobrimos quando lemos a Bíblia como um todo singular e unificado, com a mente alerta para observar seu foco real?  Descobrimos simplesmente isto: A Bíblia não é prioritariamente sobre o homem. Seu tema é Deus. Ele (se a frase for permitida) é o ator principal da história no drama, o herói da história. A Bíblia é uma visão factual do seu trabalho nesse mundo – passado, presente e futuro, com comentários explanatórios de profetas, salmistas, sábios, e apóstolos. O seu tema principal não é a salvação do homem, mas a obra de Deus vindicando seus propósitos e glorificando-o num cosmos pecaminoso e desordenado. Ele faz isto estabelecendo o seu reino e exaltando o seu filho, criando um povo para adorá-lo e servi-lo, e enfim, desmantelando e reagrupando esta ordem de coisas, erradicando o pecado deste mundo.

É dentro desta larga perspectiva que a Bíblia ajusta a obra de Deus de salvar homens e mulheres. Ela descreve Deus como mais do que um arquiteto cósmico distante, ou um titio celestial onipresente, ou uma força de vida impessoal. Deus é mais que qualquer deidade inferior substituta que habita as mentes do século XXI. Ele é o Deus vivo, presente, ativo em toda parte, “glorificado em santidade, terrível em louvores, operando maravilhas” (Êx 15.11). Ele dá a si mesmo um nome – Yahweh (Jeová [Senhor]; veja Êx 3.14,15; 6.2,3), o qual seja traduzido por “Eu sou o que sou”, ou “Eu serei o que serei” (o hebraico significa ambas as coisas), é uma proclamação de sua auto-existência e auto-suficiência, sua onipotência e sua liberdade ilimitada de agir.

Este mundo é de Deus; Ele o fez e Ele o controla. Ele “faz todas as coisas, segundo o conselho de sua vontade” (Ef 1.11). Seu conhecimento e domínio estendem-se às menores coisas: “E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados” (Mt 10.30). “O Senhor reina” – os salmistas fazem desta verdade imutável o começo de seus louvores, repetidas vezes (veja Sl 93.1; 96.10; 97.1; 99.1). Embora assolem forças hostis e ameace o caos, Deus é rei. Por conseguinte, seu povo está a salvo.

Texto extraído da obra “O Plano de Deus Para Você”, editada pela CPAD.

LIÇÃO 5 - 4º TRIM. 2012 - OBADIAS - O PRINCÍPIO DA RETRIBUIÇÃO.


Lição 05

 OBADIAS —                O PRINCÍPIO DA RETRIBUIÇÃO  
04 de novembro de 2012  

TEXTO ÁUREO  


Porque o dia do SENHOR está perto, sobre todas as nações;
como tu fizeste, assim se fará contigo; a tua maldade cairá sobre a tua cabeça (Ob 1.15) 

VERDADE PRÁTICA


Obadias mostra que a lei da semeadura e o princípio da retribuição
constituem uma realidade da qual ninguém escapará.  

COMENTÁRIO DO TEXTO ÁUREO  


Porque o dia do SENHOR está perto, sobre todas as nações; como tu fizeste, assim se fará contigo; a tua maldade cairá sobre a tua cabeça 
(Ob 1.15) 
Nosso texto áureo desse domingo, Obadias versículo 15, está inserido no único capítulo do livro, cujo propósito é:
 
1º) revelar a intensa ira de Deus contra os edomitas por terem se regozijado com o sofrimento de Judá; e
 
 2º) entregar a palavra do juízo divino contra Edom.
Obadias profetiza o resultado final da atuação de Deus com a destruição dos edomitas e com o livramento de Israel no futuro dia do Senhor. 
 
“..., assim se fará contigo...” – Obadias profetizou que Deus retribuiria a Edom e as demais nações consoante o tratamento que haviam dispensado ao próximo. Este mesmo princípio aplica-se aos crentes neotestamentários: “Mas quem fizer agravo receberá o agravo que fizer, pois não há acepção de pessoas” (Cl 3.25).
       Escrevendo aos  Colossenses, Paulo exorta-os sobre relacionamentos no lar, na igreja e no trabalho (Cl 3.17-25), ensinando-os a fazer o bem em todas as ocasiões, sendo sempre solícitos quanto à demonstração do amor, da justiça e da lealdade. Em Obadias 1.15 vemos também a “lei da semeadura”: “Não erreis, Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7).
Os filhos de Edom (edomitas ou edumeus) haviam regozijado pela pilhagem de Jerusalém, a queda da cidade havia motivado neles grande júbilo. No versículo 7 parte final o profeta declara: “não há em Edom entendimento” e profetiza contra Edom ou Esaú (irmão de Jacó) Obadias 1.7 a 14. Assim neste único capítulo do livro de Obadias encontramos nos versículos 1 a 14 a ardente ira do Senhor contra Edom (Esaú), exigindo deste uma prestação de contas por sua soberba originada de sua segurança geográfica, pois habitavam nas montanhas, se sentiam seguros e não se solidarizaram com seus irmãos, filhos do mesmo pai Isaac, mas pelo contrário se regozijaram com a derrota de Jacó, com a pilhagem de Jerusalém é neste contexto histórico e profético que se insere o nosso texto áureo: Porque o dia do SENHOR está perto, sobre todas as nações; como tu fizeste, assim se fará contigo; a tua maldade cairá sobre a tua cabeça (Ob 1.15) 

RESUMO DA LIÇÃO 05   


Obadias – O Princípio da Retribuição  

I.- A SOBERANIA DE DEUS

1.- Conceito.

2.- Livre-arbítrio.  

II.- O LIVRO DE OBADIAS

1.- Contexto histórico.

2.- Estrutura e mensagem.

3.- Posição no Cânon.  

III.- EDOM, O PROFANO

1.- Origem.

2.- O Deus soberano.

3.- Preparativos do assédio a Edom (v.1c).

4.- O rebaixamento de Edom.

5.- O orgulho leva à ruína.  

IV.- A RETRIBUIÇÃO DIVINA

1.- O princípio da retribuição.

2.- O castigo de Edom.

3.- Esaú e Jacó (v.18). 

INTERAÇÃO  


Soberania de Deus e livre-arbítrio são temas que geram conflitos e levam muitos a tomadas de posições extremadas. Por conceder o livre-arbítrio ao homem, Deus deixa de ser soberano? De maneira nenhuma! Isso só denota o seu poder em criar uma pessoa que, sendo imagem e semelhança de Deus, decide seguir ou não o caminho da Justiça. Mas é bem verdade que, nalgumas circunstâncias, o Eterno intervém sem respeitar o arbítrio humano (Ml 1.2,3 cf. Rm 9.14-16).
Há contradição nisso? De forma alguma! O homem continua livre em seu arbítrio e Deus eternamente soberano. Nas Sagradas Escrituras, o livre arbítrio e soberania divina são essencialmente dialogais.  

OBJETIVOS


Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

·   Conceituar soberania divina e livre arbítrio.

·   Elencar os elementos contextuais do livro de Obadias.

·   Saber o princípio da retribuição divina. 
 

ESBOÇO DO LIVRO DE OBADIAS  


O livro de Obadias é constituído apenas de um capítulo (1) e vinte e um versículos (21). Podemos dividi-lo em duas partes principais:
1ª) fala respeito dos oráculos contra Edom; e 
2ª) fala dos oráculos sobre o Dia do Senhor.
O propósito principal do livro é mostrar aos israelitas a ira divina contra os edomitas.  

O LIVRO DE OBADIAS  

Parte I: Oráculos contra Edom (vv.1-14.15b)
vv.1-9      Orgulho e destruição de Edom
vv.10-14      Traição de Edom contra Judá
v.15b      Condenação de Edom  
Parte II: Oráculos sobre o Dia do Senhor (vv.15a.,16-21)
vv.15a.,16      Julgamento das nações
vv.17,18      Volta e restauração de Israel
vv.19-21      Apêndice: Volta e restauração de Israel
 

COMENTÁRIO  


introdução  

Palavra Chave

SOBERANIA:

Qualidade ou condição de soberano.  

A soberania divina é um tema importante e atual, porque lembra-nos que Deus está no controle de tudo e que toda ação humana está exposta diante de seus olhos. A lei natural da semeadura ilustra o princípio da retribuição no campo espiritual, e é justamente essa a mensagem que encontramos no livro do profeta Obadias, em seus oráculos contra Edom.  

I. A SOBERANIA DE DEUS 

1. Conceito. A soberania divina é o direito absoluto de Deus governar totalmente as suas criaturas segundo a sua vontade (Sl 115.3; Is 46.10). Calvinistas e arminianos concordam com esse conceito. A diferença entre ambos acerca da soberania está apenas no exercício desta. Segundo os calvinistas, não há limite para o exercício desse governo, de modo que a vontade divina não pode ser anulada. Os arminianos, por outro lado, admitem que, no exercício da soberania divina, existe uma auto-limitação suficiente para permitir o livre-arbítrio humano.  

2. Livre-arbítrio. A vontade de Deus é que todos sejam salvos (Ez 18.23,32; Jo 3.16; 1 Tm 2.4; 2 Pe 3.9). Entretanto, não são poucos os que se perderão. Tal acontece justamente pelo fato de sermos livres, autoconscientes e, por isso, responsáveis diante de Deus por nossos atos (Ec 12.13,14). Isso se explica pelo livre-arbítrio, e não significa negar a soberania divina. Trata-se da liberdade humana. Deus é soberano em todo o Universo e, por seu amor e poder, preserva sua criação até a consumação de todas as coisas (Ne 9.6; Hb 1.2,3).  

SINOPSE DO TÓPICO (I) 

O livre-arbítrio não nega a soberania divina; pelo contrário, a confirma.  

II. O LIVRO DE OBADIAS
 

1. Contexto histórico. A vida pessoal de Obadias é desconhecida. O profeta apresenta-se apenas com o seu nome, sem oferecer nenhuma informação adicional (família e reinado sob o qual viveu e profetizou). Ele simplesmente diz: “Visão de Obadias” (v.1). A data em que exerceu o seu ministério é uma das mais disputadas entre os estudiosos: vai de 848 a 460 a.C. Tudo indica que os versículos 10 a 14 refiram-se à destruição de Jerusalém por Nabucodonosor, rei de Babilônia, em 587 a.C. Portanto, qualquer data, nesse período, como 585 a.C. por exemplo, é aceitável.  

2. Estrutura e mensagem. Com apenas 21 versículos, Obadias é o livro mais curto do Antigo Testamento. Excetuando-se a introdução, o seu estilo é poético. O texto divide-se em três partes principais: a destruição de Edom (vv.1-9); a sua maldade (vv.10-14) e o dia do Senhor sobre Edom, Israel e as demais nações (vv.15-21). O tema do livro é o julgamento divino contra Edom. Obadias, porém, não é o único profeta incumbido de anunciar a condenação dos filhos de Esaú (Is 21.11,12; Jr 49.7-22; Ez 25.1-14; Am 1.11,12; Ml 1.2-5).  
 
3. Posição no Cânon. Em nossa Bíblia, Obadias situa-se entre Amós e Jonas. O critério para a ordem desses livros é ainda desconhecido. Sabe-se, todavia, que não foi baseado na cronologia. Há quem justifique tal posição pelo slogan “o dia do SENHOR” (v.15; Am 5.20) e pela afirmação de que a casa de Jacó possuirá a herdade de Edom (v.17; cp. Am 9.12). Devido ao Cânon Judaico considerar a coleção dos Doze Profetas um só livro, a citação de Obadias, em o Novo Testamento, é apenas indireta.  

SINOPSE DO TÓPICO (II)  

Com apenas vinte e um versículos, Obadias é o livro mais curto do Antigo Testamento.  

III. EDOM, O PROFANO  

1. Origem. Os edomitas eram descendentes de Esaú. Por causa do guisado que Jacó usou para comprar de Esaú a sua primogenitura, o nome da tribo passou a ser “Edom” que, em hebraico, significa “vermelho” (Gn 25.30). Eles povoaram o monte Seir (Gn 33.16; 36.8,9,21) e, rapidamente, transformaram-se em uma poderosa nação (Gn 36.1-43; Êx 15.15; Nm 20.14). Seu rei negou passagem a Israel por seu território, quando os filhos de Jacó saíram do Egito e peregrinavam no deserto a caminho da Terra Prometida. Mesmo assim, Deus ordenou aos israelitas que tratassem os edomitas como a irmãos (Dt 23.7). Contudo, o ódio de Edom contra Israel cresceu e atravessou séculos.  

2. O Deus soberano.  “Assim diz o Senhor JEOVÁ a respeito de Edom” (v.1). Esta chancela destaca a soberania de Deus sobre os povos e reis da terra. Apesar de Edom não ser reconhecido como povo de Deus, o Eterno tinha legítima autoridade sobre ele.  

3. Preparativos do assédio a Edom (v.1c). A expressão: “temos ouvido a pregação” parece indicar que Obadias falava em nome de outros profetas (Jr 49.14). Ele ouviu o oráculo divino e soube de um embaixador que fora enviado aos povos vizinhos para ajuntá-los em guerra contra Edom. Tal embaixador não era profeta, mas um diplomata de alguma nação inimiga dos edomitas. 

4. O rebaixamento de Edom. No Antigo Testamento hebraico, existe um recurso retórico que consiste em um acontecimento futuro, que é descrito como se já tivesse sido cumprido. Por isso, o profeta emprega o verbo no passado: “Eis que te fiz pequeno entre as nações” (v.2a). Esse recurso é conhecido como perfeito profético (não se trata de um perfeito gramatical especial). Seu emprego, aqui, indica o cumprimento certeiro da ameaça quanto à sucessão dos dias e das noites. Ou seja, o fato é descrito como já realizado, pois Deus reduzirá (como de fato, reduziu) Edom a um povo insignificante e desprezível entre as nações, até que este veio a desaparecer (v.2b).  

5. O orgulho leva à ruína. Por viverem nas cavernas montanhosas de Seir (v.3), os edomitas confiavam na segurança que lhes proporcionava a topografia de seu território — uma fortaleza naturalmente inexpugnável. Edom não sabia que aquilo que é inacessível ao homem é acessível a Deus (v.4). A arrogância humana é insuportável, mas a soberba espiritual é repugnante; os que assim agem estão destinados ao fracasso (Pv 16.18; 1 Pe 5.5).  

SINOPSE DO TÓPICO (III)  

A arrogância humana e a soberba espiritual levaram os edomitas à ruína.  

IV. A RETRIBUIÇÃO DIVINA  

1. O princípio da retribuição. Retribuição significa “pagar na mesma moeda”. Tal princípio acha-se na Lei de Moisés (Êx 21.23-25; Lv 24.16-22; Dt 19.21). Segundo Charles L. Feinberg, a passagem compreendida entre os versículos 10 até 14 pode ser chamada de o “boletim de ocorrência” dos crimes cometidos pelos edomitas contra os judeus. O acerto de contas aproxima-se, e Deus fará com os edomitas o mesmo que eles fizeram a Judá. Nessa profecia, Edom serve de paradigma para outras nações (e até pessoas) que igualmente procedem (v.15).  

2. O castigo de Edom. Os edomitas beberam e alegraram-se com a desgraça de seus irmãos. Mas, agora, chegou a hora de eles receberem a sua paga na mesma moeda. Os descendentes de Esaú provarão do cálice da ira divina para sempre (v.16). É bom lembrar que esse princípio vale também para indivíduos (Jz 1.6,7; Hb 2.2). É o princípio da semeadura (Os 8.7; Gl 6.7).  

3. Esaú e Jacó (v.18). Os nomes “Sião” e “Jacó” (v.17) indicam Jerusalém e Judá, respectivamente.
E “José”, o Reino do Norte formado pelas dez tribos e, muitas vezes, identificado como “Israel” e “Efraim” (Os 7.1).
José, como pai de Efraim (Gn 41.50-52), é usado para identificar os irmãos do Norte. Assim, a profecia fala sobre a reunificação de Judá e Israel (Os 1.1; Ez 37.19). A metáfora de Israel como fogo que consumirá a casa de Esaú indica a destruição total de Edom. O orgulho e o ódio dos edomitas contra os seus irmãos judeus os levaram à ruína definitiva.  

SINOPSE DO TÓPICO (IV)  

O princípio da retribuição acha-se na lei de Moisés e se confirma no princípio da semeadura em o Novo Testamento.  

CONSIDERAÇÕES FINAIS  

Assim como ninguém pode desafiar as leis naturais sem as devidas consequências, não é possível ignorar as leis espirituais e sair ileso. A retribuição é inevitável, pois “tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7). Só o arrependimento e a fé em Jesus podem levar o homem a experimentar o amor e a misericórdia de Deus (2 Co 5.17).  

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA  


HARRISON, R. K. Tempos do Antigo Testamento: Um Contexto Social, Político e Cultural. 1 ed., RJ: CPAD, 2010.

MENZIES, W. W.; HORTON, S. M. Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da Nossa Fé. 5 ed., RJ: CPAD, 2005. 
 

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I 


Subsídio Geográfico  

“O Julgamento de Edom

A terra de Edom se estendia ao longo das encostas da cadeia de montanhas rochosas do monte Seir, em direção do golfo de Ágaba e chegava quase ao mar Morto. O território variava de regiões férteis, que produziam trigo, uvas, figo, romã e azeitona, a altos picos montanhosos separados por desfiladeiros profundos. A meio caminho na principal cadeia montanhosa, elevava-se o monte Hor, alto e sombrio acima do terreno circunvizinho e a curta distância da capital Sela ou Petra, que se situava em um profundo vale cercado por 60 metros de precipício, acessível somente por uma abertura estreita de uns 3,5 metros de largura. Assim, os edomitas habitavam literalmente nas fendas das rochas (3), cuja a posição era praticamente impenetrável e inconquistável. Por muitas gerações tinham vivido seguros. Nenhum inimigo conseguira entrar pelos caminhos estreitos dos desfiladeiros que conduziam às principais cidades talhadas nas paredes rochosas das montanhas. [A despeito de todos esses recursos] Os julgamentos de Deus tinham de ser severos. [...] A nação seria totalmente devastada. Os descendentes de Esaú, seriam reduzido a nada” (Comentário Bíblico Beacon. Volume 5, 1 ed., RJ: CPAD, 2005, pp.131-32).  

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO  


Obadias: O princípio da retribuição  

Obadias é um livro pequeno, mas que apresenta uma grande verdade: Deus retribui as ações arrogantes do homem no devido tempo. Não importa quanto tempo se passe desde que ajamos de forma perversa com as pessoas que nos cercam: nossos atos não ficam impunes diante de Deus.
 
Para que possamos entender o livro de Obadias, precisamos entender o contexto em que o profeta está inserido. Séculos antes de Obadias, Jacó e Esaú, os dois filhos de Isaque, tiveram descendentes que, séculos mais tarde, formaram as nações de Judá e Edom. Ambos, apesar de terem parentesco, os povos foram dados à beligerância entre si, de forma que os edomitas, quando tiveram uma oportunidade, auxiliaram os babilônios em um grande e bem-sucedido ataque contra Israel, que destruiu Jerusalém.
 
Não podemos deixar de crer que Deus, por meio desses acontecimentos, estava julgando seu próprio povo, pois Judá havia sido advertido por Deus acerca de seus pecados. Mas que Ele também iria julgar aqueles que estavam atacando seu povo. Não muito depois desse evento, Deus julgou os edomitas e destruiu sua nação. Nos tempos de Cristo, os descendentes dos edomitas foram os da casa de Herodes, chamados de idumeus. Eles mostraram seu desprezo pelos judeus quando os governaram, autorizados pelos romanos, e também tentaram acabar com o plano da salvação quando Herodes tentou matar o menino Jesus.
 
“O que torna as ações de Edom ainda mais repreensíveis foi o fato de que os edomitas e os israelitas não eram apenas vizinhos; eles eram parentes! Os pais de Edom e Judá foram Esaú e Jacó, respectivamente. Os países deveriam ter vivido em paz. Edom, porém, constantemente tirou vantagem de Judá” (365 Lições de Personagens da Bíblia, CPAD, pg.230). Isso sem contar com a arrogância dos edomitas: sua capital era o lugar hoje conhecido como Petra, um ambiente de fácil defesa e de difícil ataque por parte de inimigos. Isso dava muito orgulho aos edomitas, pois muitos santuários foram também esculpidos nas paredes dessa grande cidade rochosa. Mas cinco anos depois de Nabucodonosor ter atacado Jerusalém, ele também expulsou os edomitas de suas terras, e séculos depois, após a crucificação de Cristo, os edomitas desapareceram para sempre, cumprindo-se o que disse Obadias: “Ninguém mais restará da casa de Esaú” (Ob 18).

Apesar do julgamento pelo qual Israel passou, Obadias deixou claro que a nação se ergueria novamente, e que possuiria a terra dos filisteus e dos edomitas, e que iria se alegrar com o reino do Messias.